segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Quando vale a pena optar por um plano hospitalar?

Fonte: Valor Econômico

Por Consultório financeiro

Tenho 42 anos e considero meu plano de saúde muito caro. Pensei em fazer um plano hospitalar e pagar consultas médicas a parte. Vale a pena?

Ricardo Landskron, CFP, responde com a colaboração de Sandra P. Haddad, corretora de seguros

A resposta certa para a sua pergunta é: "Depende".


Antes, porém, permita-me esclarecer algumas diferenças básicas entre plano e seguro saúde, para depois abordar diretamente a sua questão.

Para a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), tanto planos quanto seguros de saúde fazem parte dos chamados "planos privados de assistência à saúde". No entanto, existe uma diferença significativa entre as duas opções. No seguro saúde, o reembolso de despesas médico-hospitalares é tido como regra - ou seja, existe a previsão da livre escolha por parte do segurado sobre o prestador de serviços, e quando o segurado recorre à rede credenciada não paga nada ao prestador. Já no caso dos planos de saúde o reembolso é muitas vezes restrito e somente ocorre de forma excepcional.

Independentemente de ser plano ou seguro saúde, em ambos os casos pode se escolher o tipo de cobertura a ser contratada, sendo as mais comuns ambulatorial, hospitalar, hospitalar com obstetrícia ou completo.

Enquanto os planos/seguros de saúde completos cobrem a maior parte das despesas médicas, desde consultas na rede credenciada, exames laboratoriais, internações e até alguns outros procedimentos mais específicos, dependendo da seguradora e do plano contratado, os planos/seguros hospitalares só cobrem as despesas hospitalares de internação, exames laboratoriais durante a internação e despesas médicas ocorridas durante a internação (estas últimas, desde que respeitem o limite de valor que o plano estabelece).

Note que, no caso de você sofrer um acidente leve, sem internação, mas que requeira exames de imagem e consultas a diversos especialistas, o plano completo lhe atenderá satisfatoriamente, enquanto que no hospitalar todas as despesas incorrerão por sua conta.

Consultei uma corretora de seguros especializada para conseguirmos fazer uma relação média de custos entre uma e outra modalidade de seguro saúde, tendo por base a sua idade. E de forma geral o custo do plano hospitalar equivale a 60% do custo do plano completo.

Assim, num olhar puramente financeiro, dependendo do número de consultas médicas e de exames laboratoriais que você utiliza por ano, fica fácil chegar à conclusão de que tipo de produto é melhor para você, sem considerar eventualidades como a mencionada anteriormente.

No entanto, gostaria de aproveitar a oportunidade para levantar alguns pontos que extrapolam a parte estritamente financeira e que são de extrema importância num processo de planejamento financeiro.

Com o passar dos anos, as despesas médicas tendem a aumentar substancialmente, assim como também as idas ao médico e, consequentemente, a necessidade de exames laboratoriais periódicos é mais frequente e em muitos planos de saúde (seguro saúde) hospitalares não há cobertura. Não raro, esses eventos ocorrem ao mesmo tempo em que a renda tende a diminuir pela aposentadoria, o que torna tudo isso, de certa forma, incompatível.

Com isso em mente, cabe lembrar que se optar pelo plano hospitalar e no futuro quiser mudar para o plano completo, poderá enfrentar alguns desafios práticos, como o cumprimento total da carência (mesmo alterando o plano dentro da mesma companhia) e até a não aceitação da transferência, dependendo da idade.

Assim, volto para o início da resposta e reafirmo que tudo depende. Depende da sua capacidade financeira atual e projeções futuras, e também depende da sua atual utilização de consultas e exames laboratoriais.

Mas tenha em mente algumas considerações: a primeira é que ter um plano hospitalar é melhor do que não ter plano nenhum, pois ninguém está livre de passar por internações inesperadas que podem ser completamente destrutivas do ponto de vista financeiro. Além disso, se a situação financeira "apertar", é melhor ter um bom plano hospitalar do que um plano completo de qualidade inferior.

Ricardo Baeta Neves Landskron é planejador financeiro pessoal e possui a certificação CFP (Certified Financial Planner), concedida pela Planejar - Associação Brasileira de Planejadores Financeiros. E-mail: ricardo.landskron@grupotaiga.com.br

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