quinta-feira, 29 de março de 2018

Foco na indústria de seguros é prevenção e mitigação de risco

Fonte: Valor Exonômico
Por Susana Liskauskas | Para o Valor, de São Paulo

A indústria de seguros passa por uma intensa transformação, impulsionada pelo uso exponencial da tecnologia. O foco está na prevenção e na mitigação de riscos para o cliente e as soluções de internet das coisas (IoT) têm se revelado ferramentas poderosas.

Segundo Carlos Romero, gerente de marketing e inovação da Gemalto para a América Latina, o volume de informações necessárias à indústria de seguros torna o uso da IoT um aliado na identificação de riscos. Embora, o processo esteja mais maduro nos EUA e em países como a Alemanha, as seguradoras brasileiras já deram os primeiros passos na direção do IoT.

A Youse, plataforma de vendas de seguros online da Caixa Seguradora, e a SulAmérica estão desenvolvendo projetos piloto- aplicativos, baseados no conceito de gamificação para analisar o comportamento do motorista e incentivar a prevenção ao risco. Eldes Mattiuzzo, diretor da Youse, diz que o objetivo do aplicativo gratuito YouseTrips, lançado há seis meses para ambientes iOS e Android, é diminuir riscos e criar um ambiente colaborativo para um seguro mais personalizado. "A tendência no ramo auto é a personalização. O seguro será cada vez mais voltado às pessoas e não aos bens", diz.

A Youse também está fazendo testes em IoT com uma espécie de sensor capaz de monitorar o veículo por uma rede de telefonia celular. Mattiuzzo afirma que, ao contrário dos sistemas de monitoramento de veículos via satélite, a solução da Youse, ainda sem nome, é mais barata, acessível e amigável para o usuário. "O motorista recebe um sensor que ele mesmo pode instalar no carro sem interferir na parte elétrica. A partir daí, pode monitorar o veículo pelo celular. Vamos distribuir cinco mil dispositivos a motoristas no Estado de São Paulo até maio", conta.

De acordo com Cristiano Barbieri, diretor de estratégia de relacionamento e tecnologia da SulAmérica, a maturidade da tecnologia reduz custos para adotar soluções que usam sensores e permitem processamento de grandes volumes de dados. O desafio, diz, é aprender a converter o volume exponencial de dados gerados em benefício aos clientes.

No início de 2018, a SulAmérica lançou, para ambientes iOS e Android, o Auto.Vc, desenvolvido em parceria com a LexisNexis Risk Solutions. Assim como o Youse Trips, o aplicativo pode ser utilizado gratuitamente por qualquer motorista, mesmo que não seja cliente das seguradoras. Também baseado em gamificação, o Auto.Vc pontua o usuário de acordo com seu comportamento ao volante. O motorista passa a ser premiado ao adotar boas práticas na direção. Ainda em fase de testes, o Auto.Vc, tem cinco mil usuários em cinco Estados. A meta da SulAmérica é integrar o Auto. Vc à plataforma mobile da seguradora até o fim deste ano.

Ricardo Lachac, diretor da LexisNexis no Brasil, diz que as soluções de IoT garantem mais personalização ao seguro. Ele explica que pesquisa feita entre 2016 e 2017 com 250 mil motoristas clientes de seguradoras comprovou que 65% deles mudaram o comportamento com o uso de aplicativos semelhantes ao da SulAmérica.

O uso de IoT na indústria de seguros também se desenvolve nos ramos de saúde e residência. Desde janeiro, a SulAmérica oferece no programa Saúde Ativa o uso do aplicativo e-health, desenvolvido pela Sharecare. "O e-health extrai dados como idade biológica do usuário, nível de estresse a partir da voz dele ao celular. É uso de sensores com recursos de aparelho celular. Temos 77 mil usuários do aplicativo", diz Barbieri.

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