Previdência privada é a aposta da Mapfre
Fonte: Revista Cobertura
Um ano após a separação da área de seguros de risco, que originou o grupo segurador Banco do Brasil & Mapfre, a espanhola Mapfre aposta em serviços financeiros para ampliar seus ganhos no mercado brasileiro. A estratégia atual está nos produtos de previdência complementar aberta, vida resgatável, investimentos, capitalização, além das operações em saúde e consórcio, com início da comercialização em 2013.
O vice-presidente da área de previdência, vida resgatável e saúde da Mapfre, Eduardo Freitas, enfatiza que as áreas estão separadas. "A Serviços Financeiros é 100% Mapfre Espanha."
Ao ser questionado sobre os motivos pelos quais a junção com o Banco do Brasil não foi total, Freitas detalha que a parceria anterior era Nossa Caixa e Mapfre, mas quando a compra ocorreu pelo BB os acionistas negociaram a junção. Como o banco estatal já possuía sociedade na área de previdência com a norte-americana Principal na Brasilprev, e com a Icatu e SulAmérica na BrasilCap, ocorreu a divisão. "Era um negócio que já estava em andamento, então acumulação ficou de fora."
A distribuidora de títulos e valores mobiliários (DTVM) da subsidiária brasileira é a mais rentável do grupo, com a soma de R$ 10 bilhões em ativos até agosto, sendo R$ 5 bilhões em fundos de investimento abertos.
Já o segmento de previdência complementar aberta deverá representar um terço do faturamento da Mapfre. Até agosto, os planos de previdência somaram R$ 1,9 bilhão em reservas, o que representou um crescimento de 60%, enquanto o mercado avançou 23,55% na comparação com o período de janeiro a junho de 2011, segundo dados da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi). A expectativa para o final deste ano está em fechar com R$ 2,2 bilhões. Já o total de receitas, até agosto, ficou em R$ 325 milhões.
Maristela Gorayb, diretora de previdência e vida resgatável da Mapfre, detalha que em 2011 a soma dos recursos financeiros chegou a R$ 1,4 bilhão. "O segundo semestre tem mais aportes com a proximidade do imposto de renda. Em dezembro, chega a ter três vezes mais depósitos."
A explicação, segundo a executiva, está no caso do Plano Gerador de Benefício Livre (PGBL), destinado para quem faz declaração completa do Imposto de Renda e permite dedução de até 12% da renda bruta individual anual.
Após a divisão do ramo, já que vida passou a fazer parte do grupo BB & Mapfre, previdência passou por uma reestruturação, o que ocasionou a expansão no primeiro semestre. Maristela afirma que houve uma nova estratégia de equipe, com rede comercial nas principais capitais, e associações com bancos, cooperativas e corretoras independentes, como o BNP Paribas, Banese (Banco do Estado de Sergipe), Sicoob Espírito Santo, XP Investimentos e UM Investimentos, entre outros.
Segundo o vice-presidente, a tendência das parcerias, principalmente com as corretoras, ocorre porque é uma das alternativas para o investimento. "É uma visão de longo prazo e há a percepção [na corretora] melhor do que no balcão [banco]. Hoje com a queda da taxa de juros ]Selic] os diferenciais competitivos da previdência ficam em evidência."
Para a corretora, o benefício está na rentabilidade. "A corretora tem um produto para incrementar a receita", pontua Maristela.
Diante da redução da Selic em 5 pontos percentuais no último ano, de 12,50% em agosto de 2011 para 7,5% ao ano em 2012, Eduardo Freitas diz que a mudança foi positiva, pois há vantagens na comparação com fundos de investimento e poupança. "Estamos vendendo como nunca. Temos taxa de administração, mas há o benefício tributário."
No que se refere às aplicações dos ativos, a mudança ainda não é perceptível. "O brasileiro sempre foi conservador. A Bolsa não passa por um momento auspicioso e renda fixa continua o mais procurado". A tendência futura, entretanto, é de mudança, indica Freitas.
Futuro
Além da área de previdência, a companhia especializada em serviços financeiros aposta também no seguro de vida resgatável, que começou a ser operado em dezembro de 2011. Para 2013, os planos de saúde, com foco em empresas, estão em fase de estruturação, com capital inicial de R$ 20 milhões. Já a administradora de consórcios recebeu autorização do Banco Central e tem investimento de R$ 25 milhões. Os valores foram anunciados no lançamento, em maio deste ano, pelo presidente mundial do grupo, Antonio Huertas.
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