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Paramétricos indenizam perdas financeiras diversas

Fonte: Valor Econômico

Por Denise Bueno
Divulgação
Ângelo Colombo: "Indústria tem de inovar para se manter em crescimento"

Se chove muito, venta pouco. Se venta muito, chove pouco. Até pouco tempo atrás essa lógica bastava para definir que regiões receberiam investimentos e que produto seria mais rentável em cada uma delas. Hoje, padrões simples como esse não funcionam mais para calcular as probabilidades de perdas ou de ganhos. "O clima mudou as estações. A internet das coisas transformou as relações. Temos acordos como o Transpacífico, no qual o produto final é fruto de uma produção em cadeia mundial, com riscos diversos em diferentes países. O seguro de responsabilidade civil solicitado pelo portal Airbnb viabiliza o aluguel de imóveis em mais de 190 países. Como calcular o preço para usuários de diversas nacionalidades, crenças, cultura política e social? A indústria tem de inovar para se manter em crescimento", comenta Ângelo Colombo, CEO da Allianz Global Corporate & Specialty Resseguros Brasil (AGCS Brasil).

Uma das novidades que chega ao Brasil é o seguro paramétrico com foco em indenizar perdas financeiras e não apenas materiais. "O objetivo desse seguro é ajudar investidores e empresários a organizar o fluxo de caixa diante de imprevistos com indicadores climáticos acima ou abaixo das médias históricas", explica Colombo. E isso vale não só para a agricultura, como para uma infinidade de segmentos da economia. Previsto para chegar ao Brasil em 2016, o objetivo é garantir o fluxo de caixa diante das perdas quando indicadores climáticos ficarem acima ou abaixo da média histórica.

"Uma coleção de inverno que ficou encalhada porque o calor afugentou os clientes das lojas. Uma hidrelétrica que não pode gerar energia porque não tinha água suficiente para girar a turbina", exemplifica Octávio Bromatti, vice-presidente comercial da francesa AXA no Brasil, que já entrou com pedido de autorização para vender o produto na Superintendência de Seguros Gerais (Susep) e estima colocar o produto na prateleira em meados de 2016.

Seguros como esses estão na linha de inovação das companhias e foram criados a partir dos resultados de estudos e pesquisas. O objetivo da indústria de seguros é entender os riscos mais temidos e que travam o investimento, e desenvolver produtos que deixem o acionista mais confiante com os imprevistos. "Em uma economia que se torna cada dia mais global, as empresas expandiram suas atividades comerciais para diversos países e são confrontados por novos riscos associados a outros territórios como catástrofes naturais, leis e regulamentações jurídicas e de compliance", diz Emanuel Baltil, CEO Global Corporate para Zurich Brasil.

O Relatório de Riscos Globais de 2015, divulgado no Fórum Econômico Mundial, cita que os riscos econômicos e geopolíticos apresentam a maior ameaça no curto prazo, ao passo que os riscos ambientais e sociais são a maior preocupação no longo prazo. Há também casos detalhados de riscos observados, como interação acelerada entre política e economia, consequências de urbanização rápida e não planejada e a utilização incorreta de tecnologias emergentes.

Além das pesquisas, as companhias investem em parcerias, uma vez que o seguro é uma commodity a prestação de serviço é a aposta para conquistar o cliente. "Nossos impulsos para ideias inovadoras incluem também parcerias com aceleradoras, como Mundi Lab, e presença local em vários centros ao redor do mundo como Vale do Silício, Londres, Berlim, Madri e São Paulo. Entre as novidades", conta Adriana Seemann, responsável pelo gerenciamento de clientes de seguros gerais da Munich Re, maior resseguradora do mundo. As parcerias tem viabilizado a expansão dos paramétricos e a oferta de resseguro com sistema antifraude para linhas massificadas e digitalização.

Renato Rodrigues, CEO da XL Catlin, afirma que os clientes brasileiros não estão pensando em termos de produtos ou linhas de seguros, mas em termos de categorias mais amplas de risco. Um exemplo é o risco de perda de reputação. "Isso pode ser causado por um recall de produto, um ataque cibernético que leva à perda de dados próprios ou de clientes, ou por um executivo sênior que é sequestrado em uma zona de crise no mundo", enumera.

Seguro para riscos de crédito está em alta no Brasil, por exemplo. "Apesar de a demanda estar aquecida, a oferta praticamente inexiste por parte das seguradoras e resseguradoras diante do cenário do país, ainda sem uma sinalização mais clara sobre uma retomada da economia", diz Bruno Freire. "Essa é uma modalidade que tem grande potencial nos próximos anos", diz o CEO da Austral RE, que já tem pronta a tecnologia para venda on-line de seguro paramétrico com viés financeiro para praticamente todos os setores.

Florian Kummer, responsável pelo centro de subscrição de ramos elementares da Swiss Re para a América Latina, destaca a telemetria. Esse tipo de tecnologia abre um leque de oportunidades para o setor, pois contribui para uma melhor seleção de riscos, uma tarifação mais precisa, o auxílio na localização de veículos roubados, serviços de emergência em caso de acidentes, além de possibilitar processos mais eficientes de gerenciamento de sinistros.

Além dos novos produtos, os antigos passam por atualização, como o de riscos cibernéticos, que engloba agora não só as perdas que grupos econômicos têm por indenizar clientes com perdas por uso indevido de seus dados roubados por hackers, como também o seguro passa a incluir indenização de lucro cessante pelo tempo que os sistemas ficaram fora do ar. "Uma varejista ou um aeroporto têm perdas significativas se seus sistemas ficam fora do ar", diz Colombo.

A inovação está presente também nos riscos massificados. A ACE, uma das mais especialistas em seguros complexos, de plataformas a satélites, traz novidade também para um problema comum da população: o risco, bem provável, de idosos quebrarem ossos. "Temos tido uma grande procura por esse produto", conta Paulo Pereira, vice-presidente de afinidades da ACE Brasil.

Também no topo das vendas está o "Bolsa Protegida", que cobre o segurado em caso de roubo ou furto qualificado de sua bolsa ou pasta pessoal, incluindo os pertences que estiverem dentro.



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